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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

e o que é que a Bélgica tem?

Digo, Bruxelas. O resto da Bélgica eu ainda não conheço.
Tive minha primeira impressão, mas ainda não pude fazer muitas conclusões. É aquela coisa de não ser turista, mas também não me considerar um super morada imersa na cultura local. Questão de tempo.

Aqui todo mundo fala francês, mas por ser a capital do país é oficialmente bilíngue. O francês e o holandês. Bruxelles em francês. Brussel em holandês. Daí em inglês é Brussels. Eu sempre me confundo toda e acabo chamando de Bruxells.

É terra de cerveja, dos Smurfs e do TinTin do átomo gigante e do menino-anão que faz xixi constantemente - o que não é necessariamente uma coisa de se orgulhar, mas eles se orgulham. Esse é o espiríto.

Aqui se come chocolate, wafle e mexilhões com batata frita - o tal do Moules Frites. Aliás, eles alegam que inventaram a batata frita! Verdade ou não, acredito que eles a consumam mais do que um irlandês.   Diferente de Dublin, eles tem fogão a gás, dia do lixeiro, caqui (!!!), horário pra sair o pão fresquinho e feiras de rua, ainda que sem pastel.

Aqui é a sede da União Européia, tem a Otan, o Parlamento europeu e um rei. A Audrey Hepburn e o Jean Claude van Damme também saíram daqui.

Tudo é mais lento e burocrático, e as pessoas mais mal humoradas e mal educadas. O serviço é ruim. As gorjetas em restaurantes não são comuns.

O transporte público funciona. Tem metrô, bonde, ônibus e bicicleta de aluguel. Aqui se bebe champagne. Se come muito bem. Toma-se café em cada esquina. Aliás, em cada esquina há uma praça charmosa, mas a principal está no centro - a Grand Place ou Grote Market (para deixar as duas línguas felizes). Os carros param se você ameaçar atravessar a rua, o que sempre dá medo. Aqui chove muito, venta muito e faz frio.

Eu virei mademoiselle e voilà virou minha expressão favorita.

parte da Grand Place ainda em trajes natalinos

Atomium

por 8 euricos sobe-se até uma das bolas para se ter uma vista super bacaninha para toda cidade

o pôr-do-sol na saída de lá
o Manneken Pis numa versão gigante de chocolate falso e comedora de waffles. A versão real é pouca coisa menor que a cabeça desse.
Arc du du Cinquantenaire  (que é quase uma releitura do Brandenburg Gate em Berlin)


A verdade é que ainda não tirei muitas fotos daqui, e as fotos a seguir não ilustram nada…eu só gosto delas e quero compartilhar.



essa é uma rua perto de casa que está no meu caminho do dia-a-dia e me encantava quando estava coberta de neve

essa é a pracinha em frente ao ponto de ônibus que eu uso


esse é um parque chamado Bois de la Cambre. É enorme e bonito. No verão é possível alugar esse barquinho aí da foto para dar uma volta no lago. Já no inverno há uma espécie de mini balsa que atravessa de uma margem a outra, te levando até aquele chalé ali de trás que é um café/restaurante


o parque

no lago

na ponte de pedra

Logo mais eu volto para ilustrar o resto.
bisous,
Ellen


PS. Lembram do boneco Manequinho? Aquele menino de cara dócil que fazia xixi toda vez que levava uns apertões nas costas?Pois então, acho que ele é uma releitura quase que em tamanho real da versão belga.

domingo, 12 de dezembro de 2010

voltei…

Quer dizer, já faz pouca coisa mais que uma semana que voltei.

O Brasil foi muito bem, obrigada.
Vi minha dupla, conheci a troglodita da minha cachorra, fui ao casamento mais bonito desse mundo, não saí da cadeira do dentista, socializei com poucos e bons, e comi até. 
View album
Cheguei em Dublin a –7C, que logo viraram –9C. Quase que trinco de frio! Meu voo atrasou 4h e quase foi cancelado. A cidade estava toda branquinha...bonita e também caótica. Normalmente nem se neva e em novembro então não há nem chances. Tudo indica que esse inverno será trabalhoso...díficil de andar, difícil de voar, difícil de sair de casa! Só que ainda assim, bonito de ver!
View album
beijinhos frescos,
Ellen

sábado, 3 de julho de 2010

o fim da I qembu le sizwe

E como já teria dito o Extra....


Agora mais 4 anos até a próxima!
Doído foi, ainda mais estando num pub lotado de holandeses. Fim da Copa, fim das desculpas para um tête-à-tête mais do que semanal e também o fim das coxinhas-celebrativas vendidas em alguns pubs.

Culpa do Mick Jagger? Pode ser. A parte boa é que ele também se simpatiza pela a Argentina.

E que vença o Uruguai!

beijos desbotados,
Ellen

sexta-feira, 23 de abril de 2010

dia de menina

Tamanhos e desenvolturas a parte, ontem tive meu dia de Gisele Bundchen. Moro há um tempinho com 3 pessoas: um casal de galegos e um português. Deixando os elogios de lado, os três (e mais um) possuem um estúdio de fotografia aqui em Dublin. Quem tira as fotos por lá é a Graci (a menina do casal de galegos) e ontem marcamos uma sessão de fotos. Ok, não sou a mais fotogência das pessoas e também não me encontro assim no meu melhor estado físico,vamos assim dizer, mas aceitei. Primeiro porque mal me lembrava como era uma sessão de fotos, já que a última que fiz foi há quase 20 anos atrás (?????) e usava vestidos floridos, e segundo porque conheço as fotos dela e aí havia a esperança de me fazer mais bonitinha. Não vou mentir que adorei, embora precise treinar minhas caras e bocas.

As primeiras fotos foram as mais díficeis. Olha pra cá, sorri com os olhos e essas coisas. Embora a direção tenha sido boa, não sei fazer. É um fato. Aliás, olhando minhas fotos quando criança, acho que nunca fui muito fã em tirar fotos. Sempre muito feliz em todas elas, como vocês podem notar.
View Pequenita
Os anos passaram e acredito que eu tenha continuado alegrinha ao tirá-las. Tivemos algumas outras que saíram um pouco mais sorridentes, acho, porém ainda não as tenho. A Graci ainda tá num processo de edição, afinal o Photoshop veio a salvar nossas vidas. Assim que tiver todas, coloco para vocês (oi???) matarem a saudades dessa carinha feliz.
View Fotos
beijinhos modelados,
Ellen


PS. E fazendo um jabazinho básico, esse é o site do estúdio de fotos http://www.dstudiosphotography.com/ . Não, não estou sendo paga para isso e sei também que estão todos desse lado aí, mas fica a dica! =)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

os banheiros

Hoje resolvi lavar o banheiro de casa.
Foi a primeira e a última vez. Digo, primeira vez que lavo esse banheiro e muito provavelmente será a última que lavo esse banheiro também, infelizmente. Aqui não há ralos! Nem um buraquinho sequer. Claro que há o ralo da pia e o ralo do box (que fica há uns 5cm de altura do chão, vamos deixar isso bem claro), mas que de nada servem além de escorrer a água dentro de seus limites espaciais. Aqui há uns lencinhos umedecidos para se limpar quase tudo. Sim, os mesmos que os bebês usam, mas talvez com um pouquinho menos de alvejante (ou seja lá qual for o princípio ativo daquilo que limpa e mata germes). Eu particularmente não gosto muito dos lencinhos. Ou melhor, acho que não gostava. Para mim lavar significa água e sabão. E tomada por esse pensamento limpinho de terceiro mundo, tive a brilhante idéia de jogar menos água e ao invés do sabão, um líquido-limpa-tudo. Assim, não precisaria de muita água já que não tinha o sabão para enxaguar. Como não há rodos (claro, para onde eles levariam a água?) precisei da ajuda do esfregão (!!!). Ahã, eles ainda usam esfregão. E lá vou. Esfregão absorve a água. Torço o esfregão no balde. Esfregão absorve a água. Torço o esfregão no balde. Meio a la Cinderela. E aquela pequena quantidade de água que eu tinha jogado virou uma Amzonas. Repeti o movimento além da exaustão. Meus braços já estavam dormentes. É aí que você meu leitor (se é que ainda há algum) pode estar pensando na mesma coisa que eu pensei. Porque não deixar as janelas abertas e esperar secar naturalmente? Simples! Raramente há janelas nos banheiros irlandeses. Ahã, eu sei. Também levei algum tempo para me acostumar. Ok, na verdade demorei para perceber que não havia nada além do buraco da fechadura que me conectasse ao mundo exterior. Daí quando dei por mim, passei me sentir sufocada. Hoje já estou melhor.

Só sei que isso me faz entender algumas coisas que antes não conseguia:
- as casas aqui são menos limpas que as daí (salva as exceções, claro);
- aqui não há empregadas e derivados (só em raríssimos casos), cada um limpa o seu (trabalhinho árduo esse aqui. Se bem que há os lencinhos...);
- lembram do Dia das Mães? Pois então, foi complicado achar um cartão coerente com a minha mãezinha. A maioria dizia coisas como "hoje não faça nada, descanse", "obrigado por lavar minhas coisa", "hoje é seu dia de não cozinhar" e coisas assustadoras do tipo. Não que não condiza com minha mãezinha, mas vocês me entendem. Eu fiquei meio chocada e achei meu ogro e machista, mas cada um com seus problemas. Agora eu sei o por quê. Não é fácil ser dona de casa nesse país.


Dá-lhe os lencinhos!


beijinhos a exaustão,

Ellen


P.S. E só mais uma curiosidade sobre os banheiros na Irlanda. O interruptor da luz é para fora. Assim, super vulnerável. Qualquer menos desavisado ou metido a engraçadinho pode apagar a luz enquanto você está no banho...e como vocês sabem, quase não há janelas. Breu.

terça-feira, 23 de junho de 2009

a place to go

Olha so que achei por ai....




Sim, Ellen Street e ainda com traducao para o gaelico. E digo mais, logo ao lado da avenida principal da cidade! =)

Ah, e a cidade era Limerick. Fui ha uns dois finais de semana atras quando fui para Galway (la do outro lado do pais) para festejar e ver a Volvo Ocean Race (que o Torben Gael ganhou). Na volta, passamos por la. Tem o maior rio da Irlanda. Nao duvido. Embora a nocao de grande aqui seja diferente da nossa.

beijos emocionadissimos,
Ellen

P.S. Depois dou mais detalhes, estou sem internet em casa.
P.S2 Por estar sem internet, estou numa lan house e por isso, me encontro momentaneamente desprovida de acentos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Um dia de Geni

Sexta-feira passada foi meu dia de cão.
Como não tenho aula esse dia da semana, a idéia era dormir até mais tarde. Só não dormi como acordei ainda mais cedo que o normal, lá pelas 6h50. Se fosse de minha vontade até vai lá, mas não, foi da vontade da minha querida-temporária-e-alemã colega de quarto. Ah, vale a ressalva de que estou morando temporariamente num albergue (no sentido menos social da palavra). Até que é bem bacaninha. Em uma semana, já passei por vários quartos com várias pessoas diferentes. Umas bem legais, outras tudo bem e algumas que nem percebi que aqui tiveram. Essa da terra do homem do bigodinho foi a mais notável. Ela veio passar uns dois dias em Dublin com uma amiga. Eu até que tentei, mas apenas trocamos duas palavras, hi e bye, já que ela estava na cama de cima da minha e precisávamos ser ao menos educadas. A amiga era divertida, mas já a pequena notável, desnecessária. Eis a lógica do negócio:
- Aqui o café da manhã é servido das 8h até 10h;
- Um europeu não demora mais do que 10 minutos no banho;
- Normalmente num albergue, as malas nem são desfeitas;
- Ir do 3º andar (onde era o quarto) ao 1º andar (onde o café é servido) não leva 3 minutos.
Ou seja, qual a necessidade em acordar com tanto tempo assim de antecedência num quarto onde todos estão dormindo e a luz está apagada e nada se vê? Ok, ela pode ter perdido o sono. Ficasse quieta. Não, a doce menina fez o trajeto cama-chão repetidas vezes usando, é claro, a escadinha que fica ao lado da minha cabeça. Cada vez que chegava ao chão ela abria a mala ou tocava em ruidosas sacolinhas plásticas. Na cama, era a síndrome das pernas inquietas. Fiquei arrependida de não tê-la mandado a merda dormir de novo. Ponto para ela. As 8h, ela foi tomar café da manhã e eu dormi de novo. Ela voltou e eu acordei. Daí, ela dormiu (!!!!!!!!!) e eu aproveitei para dormi também. As 9h ela, que já estava acordada de novo, foi secar o cabelo. E para que usar o secador que há no banheiro com a porta fechada? Ela teve a solidária e sagaz idéia de ligá-lo no meio do quarto (!!!!!). Simples assim. Mais um ponto para ela. Eu bufei, levantei e quase rosnei. Fiquei mais uma vez arrependida de não tê-la mandado dormir. Numa atitude nobre de minha parte, fui tomar um banho-não-europeu e a fiz esperar horas só para escovar os dentes. Ponto para mim. Depois saí sem ao menos dizer bye dessa vez.

Depois de enrolar toda a manhã, fui almoçar com a Bora, a Ka Hee e a Heesun. Sim, são pessoas e sim, são nomes de meninas. Era despedida da Bora. Triste. Super inovando, fomos num outro restaurante coreano, muito mais gostoso. Por coincidência, encontramos o Mingu por lá. Era despedida dele também. Triste. Eu havia sido convidada, disse que não poderia ir, mas, no entanto, lá eu estava. Situação confortabilíssima. Na verdade, fui forçada a negar o convite dele. Por mim, iríamos todos juntos. Só que coreanos são estranhos. Como só a Bora conhece o Mingu, seria muito chato se juntássemos todos e todos passassem a se conhecer (!). Coisas da mente amarela. A coincidência, no final, foi feliz. Acabamos almoçando meio que juntos, mas claro que em mesas separadas (!). Ponto para mim. Na tentativa de adiar o tchau definitivo, falei para as meninas que poderíamos ir a algum pub à noite. Só que seguindo a linha de raciocínio amarela, fui gentilmente não-convidada para a festa de despedida da Bora. Ela iria sair com os amigos da sala dela (que há 1 mês atrás era minha também) e como eu não os conhecia, não poderia ir junto (???). Ponto para ela. Quando perguntei ao Mingu o que ele iria fazer, tive a mesma resposta “Vou sair com o pessoal da minha sala”. Péhh! Ponto pra ele. Assim, jogada as traças, voltei para o albergue.


a comida é coletiva e meu prato preferido é esse primeiro. Não sei bem do que se trata, mas é lula preparada de um modo coreano


super no clima do korean gesto

Ao entardecer, tinha um apartamento para visitar. Sim, estou à procura de algo menos coletivo e mais pessoal para morar. Enfim. Coloquei meu super casaco xadrez que eu tanto gosto e lá fui eu, a pé, conhecer um apartamento para dividir com duas francesas. Como as ruas aqui em Dublin nem sempre têm nomes, não era por menos que eu não achasse a que queria ir. Parei por segundos para pensar numa alternativa, quando um casal de brasileiros simpaticíssimo passou por mim. Ele dizia a ela “Tudo aqui é estranho. Esse povo é esquisito. A comida...o estilo...as roupas...olha essa coisa quadriculada”. Sim, era eu e meu casaco. Enfim. Liguei para a francesa avisando que estava perdida e nada dela responder. Mandei mensagem, liguei de novo e nada. Ou seja, fui lá à toa e fiz papel de boboca. Ou melhor, elas é que eram bobocas. E mais uma vez jogada as traças resolvi voltar para o albergue.

Durante meu trajeto, cruzei com duas jovens irlandesas perturbadas. Elas falavam escandalosamente. Por algum motivo muito obscuro dentro daquelas cabecinhas cheias de nada, uma delas segurou meu braço (?!). Vai ver ela queria meu casaco. Ainda bem que ela logo soltou e não tive maiores problemas. Só que na mesma rua, um pouco mais a frente, passei por um grupo de fedelhos e fedelhas. Eu estava de um lado da rua e eles do outro. Deviam ter uns 12-13 anos, todos alvos, usando cortes de cabelo de gosto mais do que duvidoso, agasalhos de moletom e tênis do tipo Keds. Quando eu tinha a idade deles, também era a moda usar Keds. A diferença é que na minha época só as meninas usavam. Enfim. Eles são os garotos problema de Dublin, segundo meu mais novo amigo irlandês que depois venho a contar dele, esses delinqüentes são conhecidos como Scumbags. Já cruzei com vários deles por ai, mas nunca tive problemas. Só que como dizem, se tudo pode ficar pior, por que não ficar? Para encerrar o dia em grande estilo, esses dementes jogaram pedras em mim (?). Assim, super normal. Coisa de gente sã. Pelo menos as pedras não eram grandes. Não fiz nada, nem olhei para o lado. Só queria sair dali. Pensamentos muito do mal me passaram pela cabeça e a minha vontade era de apedrejá-los com tijolos ou blocos de concreto, caso eu conseguisse erguer um. Nem nossos faveladinhos se comportam de maneira tão selvagem. Bando de amadores.
Finalmente, depois de conseguir chegar sã e salva no albergue, resolvi que dali não sairia mais. Pena que resolvi isso tarde demais. Nunca tinha participado de tanta desgraça. E muito coxinhamente falando, o que me abalou mais mesmo foi o casaco. Não, não foi. Fiquei bem triste que meus amigos jaspions foram embora. Sentirei falta dessa complexidade de seres humanos. E voltamos ao alto custo social em fazer amigos. Pontos para eles.
Beijos em quarentena,
Ellen

Scumbag: é usado para descrever alguém que não vale nada, tipo a escória humana.


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Simple life

Sei que me estendi por demais na última vez em que estive por aqui. Diria que foi uma síntese dos últimos meses que não me fiz tão presente, mas dessa vez serei mais breve. E também tenho fotos. Muitas fotos.

Aos que não resistiram até o final do último post, digo que estou de casa nova. Sim, mais uma vez. Sabe aquela bonita canção era uma casa uma engraçada, não tinha teto, não tinha nada..? Então minha nova casa é mais ou menos assim. Quer dizer, tenho um teto, mas não tinha chão até semana passada. Digo, o carpete. No lugar, havia papelões que nos obrigava a usar tênis todo o tempo. E?! E também não não sei porque digo isso, enfim.



o começo

O apartamento fica no meio de um centrinho comercial de um bairro bem bacaninha de Dublin. Tudo muito charmosinho e acessível. Aqui há um pouco de tudo, restaurantes, cafés, lojas, supermercados, correio, farmácias e blá-blá-blá. Exceto pubs, pois não há um pouco, mas sim milhares e milhares deles. Nosso convenientemente-favorito é um vermelhinho que fica exatamente em frente a nossa casa-prédio. É só abrir nossa porta, olhar para os lados, cruzar a rua e ulala. Segundo John-e/ou-Tom, o tiozinho-irlandês-de-cara-vermelha-e-também-proprietário-da-casa, é onde há uma das boas pints* de Guinness em Dublin. Que assim seja! Outro lugar que merece destaque é um restaurante chinês a três casas e dois estabelecimentos comerciais de nosso lar. Carinhosamente, eu o chamo de "Little China". Como um bom chinês, é pouco-limpo e o atendimento é jóia. Quando a comida está pronta a tiazinha-china-do-balcão grita quase-que-simpaticamente Ladies! e lá vamos nós. Inexiste a possibilidade de eles levaram até mesa. Ainda assim, sempre vamos lá. A comida é boa e barata.







Mother Relly´s (ou Mother Fu...)




fazendo tapetes


essa é a Tina

Agora moro numa casa de arquitetura típica irlandesa, e também de porta vermelha. Não, não moro na casa toda. Ocupo apenas um simbólico buraco chamado de flat ao lado do que chamam de lavanderia. Isso por que a maioria dessas casas são feitas de prédios hoje em dia. Aqui moramos somente eu e a Tina, até mesmo porque seria impossível fazer caber mais uma pessoa. Eu a chamo de holemate. Diria que é um apartamento compacto de três cômodos. Logicamente temos o banheiro em um, o quarto com as duas camas e um guarda-roupa em outro, e por fim, o hall de entrada, a sala de TV, a cozinha e a sala de jantar no outro cômodo. É super prático e de fácil acesso! Dá para cozinhar sentada no sofá. Assim como assistir TV, comer, estudar, pegar algo na geladeira e etc.



número 47


visão geral
(hall de entrada e ao longe o quarto e/ou fim do apartamento)


sala de TV


o sofá da sala de TV


sala de jantar


cozinha
(ainda não conseguimos ficar as duas ao mesmo tempo na cozinha)


a cozinha vista por um lado prático


como diria os amigos da rainha, mind the gap

Como é de praxe por aqui, alugamos o apartamento imobiliado. E ainda por cima, ganhamos duas camas novas de solteiro que mal cabem no quarto, já que a antiga era de casal. É muito equipado. Há televisão com doze canais, microondas, ferro de passar (!), garrafa elétrica para aquecer água (depois da máquina de lavar louças que eu não tenho mais aqui, essa é umas das coisas que mais gosto), forno-fogão-e-exaustor (tudo bem que jamais me atreveria fritar algo aqui, pois é alto o risco de incêndio) e como extra, temos um lindo relógio em forma de girassol cujo ponteiro é uma linda e glamourosa borboleta rosa-desbotada. A Tina a chama de Cecile. Além de todos os aparatos tecnológicos, agora também temos pratos, tigelas e talheres, ainda que sendo dois de cada. Os pais da Tina vieram passar alguns dias em Dublin e entre os comes e bebes eslovacos que nos trouxeram, estavam nossos aparatos. Agora só nos falta panelas.






a cômoda da sala (?!)


Cecile




beautiful




comes e bebes diretos da Eslováquia
(é um dos melhores biscoitinhos que já comi)

Embora seja tudo muito charmosamente-fim-de-carreira por aqui, o sistema elétrico da casa é o que se sobressai. Não temos contas a pagar. É óbvio que pagamos pela energia, mas de uma maneira alternativa e rudimentar. Dentro do armariozinho da TV há um relógio que mostra o quanto de energia ainda temos disponível. Se o ponteiro estiver próximo do zero é hora de recarregá-lo. Basta apenas colocar moedas de 2 euros e dar corda!!! Simples! E não é piadinha. É assim que pagamos por nossa energia aqui. Sistema ultra-revolucionário. Até agora só ficamos uma vez sem luz. Bom, nem preciso dizer o quão ridículo é sair da casa para contar as moedas sob a luz do hall do prédio. Outra coisa curiosa é ligar o chuveiro. Se antes me causava estranheza apertar Power, aqui tenho que puxar uma cordinha do lado de fora do box. Sim, a cordinha é semelhante aquelas usadas para dar descarga. Agora o que ainda não conseguimos entender, é porque o interruptor da água quente do chuveiro fica na cozinha. Não que seja uma longa caminhada de um lugar para outro. É só algo que nos intriga.


A vizinhança lembra um campo de refugiados em alguns momentos. No apartamento de cima, provavelmente moram alguns árabes/mulçumanos agitados. Isso porque os escutamos rezar de uma maneira talibã algumas vezes e estão sempre andando, desajeitadamente, de um lado para o outro. Quando estão parados normalmente estão cantando. Já ouvimos de tudo, de música árabe até Amy Winehouse. No mesmo andar que o nosso , há uma família. Talvez uma família moderna, pois até agora só sabemos da existência da mãe e da filha pequena e bonitinha. Acredito que elas sejam irlandesas. Suspeitamos também que a mãe é a autora de um recado no hall de entrada que pede aos moradores para fecharem a porta de maneira gentil, pois elas não conseguem dormir. Há ainda a Rebeca, a tal que alugou o porãozinho, a meio lance de escada abaixo. Nunca a vimos. Talvez seja uma inquilina imaginária. No prédio ao lado há uns rapazes egípcios que se tornaram nossos amigos de janela. E por fim, no apartamento atrás do nosso há um ser solitário e misterioso. Ainda não o/a conhecemos, mas sabemos que ele/ela pouco se importa com suas calças e com a boa aparência do local. Dois de seus jeans estão estendidas há dias num varalzinho do lado de fora. Faça chuva ou faça sol.




Ok, se analisarmos com o coração veremos que não é um lugar tão ruim. Tem lá suas peculiaridades e as vezes fica um pouco pequeno demais, mas mesmo assim tem seus encantos.

beijinhos apertados,
Ellen

P.S. Impressionados com minha assiduidade, hã?!
P.S. 2 *Dizem por aqui que para saber se uma pint de Guinness é realmente boa, basta observar se a cada gole ficam marcas de espuma no copo. Ou seja, v. pode fazer uma média de quanto goles são necessários para finalizar uma pint. Confesso que eu ainda não consegui vivenciar essa experiência. Ou sou lerda demais e minha espuma some, ou meus goles são muito pequenos e não há espaço para diferentes linhas de espuma ou tive a infelicidade de só tomar Guinness ruim.
P.S 3 Escrevi há alguns dias atrás, mas só consegui postar hoje. E, as calças ainda continuam lá.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Flynn

Olá meus potes de ouro,

Hoje estou postando em tempo real e preciso dizer a vocês duas coisas: não jantei batatas e estou queimada de sol! E digo mais, agora descascando (não as batatas, mas minhas bochechas). Hoje faz exatamente uma semana que estou aqui, e fazendo um balanço posso concluir que dos 7 dias em 5 comi batatas (suflê de batata, omelete de batata(!), purê, muito purê e mais purê assado com salmão). Ou seja, quando voltar se preparem. Larguei o strogonoff! Agora só batatas e suas diferentes aplicabilidades.


Há! Na cozinha.
(antes)


Indelicado tirar a foto do prato durante o jantar
(descanso das batatas na noite anterior)

P.S.- Acho que descobri porque os asiáticos tem essa obssessão pela minha pessoa. Sou excessivamente branca! Para eles, isso é o que há! Fazem de tudo para serem os mais brancos possíveis. Ou seja, lá Michael Jackson e eu somos reis! Agora bronzeada, não sei o que se sucederá. Outra descoberta importante, acho que os cavalos são mais valorizados do que as ovelhas porque eles fazem dinheiro rápido. O Theo apostou 4 euros sábado e ganhou 15. Bebeu todo o prêmio.
beijos morenos,
Ellen
Em breve escreverei sobre meu final de semana e como peguei uma corzinha!=)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

It´s raining!

Acabo de jantar mais batatas. Se não tomar cuidado, corro o risco de me tornar a própria. Ah, uma coisa que percebi aqui é que eles tomam água durante as refeições. Ela é servida gelada, na jarra e geralmente vem da torneira. Mesmo na escola, não há bebedouros e sim jarras. Aliás, é muito tudo bem beber água da torneira aqui, um custo a menos.
Hoje conheci a chuva irlandesa. Insisto, eles não sabem o que é verão. Como chove e venta nessa cidade, mas posso conviver bem com isso. Agora a noite, o tempo está melhorzinho e segundo o otimismo do Theo, amanhã será um lindo dia (?).Aliás, hoje é o aniversário dele e como sempre recebemos mais conselhos sábios após o jantar (único momento do dia em que nos encontramos). Primeiro o "enjoy yourself" e depois ele veio perguntar pq eu e a japa roomie estamos aqui aprendendo inglês, já que no Japão se fala japonês e no Brasil, francês! hahaha..Ok, ele perguntou antes de afirmar isso com certa veemência. Daremos uma chance a ele!
Até que é engraçado ser brasileira, acho que o povo fica feliz a saber disso, principalmente os coreanos. Só não quero saber exatamente porque eles tem essa reação. Hoje quando entrei na sala de aula as meninas coreanas ficaram doidinhas e começaram a me perguntar um monte de coisa do Brasil. Queriam saber principalmente sobre o carnaval e pediram para que eu sambasse!Ahã! Claro que ia fazer isso! Asiático é um povo muito louco. É a mesma coisa que eu pedir para eles cantarem a karaoke music. Vai entender...Elas ouviram falar que aqui tem umas festas brasileiras e pediram para que eu as levasse e as ensinassem a sambar. Mereço?! hahahaha....Me sinto um ponto turístico.
Depois da aula fui resolver a parte burocrática do visto. Estava na fila aguardando uma carta para abrir conta no banco aqui e encontro uma das coreanas, a Bo Rah ou algo assim (eu a chamo de Borat como o cara lá do filme). Ela é bem legal e bem menos estranha do que o Mango. Conclusão, lá fui eu passear com os dois em Dundrum - um bairro bem legalzinho aqui e onde fica um famoso shopping na Europa. Sinceramente não sei pq é famoso, dizem que é pelo tamanho, mas até aí eles não conhecem o Pq Dom Pedro, o famoso pombal de Campinas. =)
Como estava chovendo bastante resolvi vir para casa um pouco mais cedo hj. Por causa disso conheci um irish baby, neto da Susan e descobri que ela costura! Sim, ela tem um quartinho de costura bem legal aqui, com muitas coisas bem bacaninhas. Super me achei! Ela faz somente capas de almofadas e vende para várias lojas aqui da cidade. São bem bonitas.
Já que o tempo está um pouco melhor agora a noite e ainda está claro, vou lá para centro.

P.S. Descobri o nome da japa girl, Hiromi. Até que é simples perto dos nomes coreanos. Ela é fã do Coldplay e estamos pensando em ir juntas no show que acontecerá em Belfast nos próximos meses(pasmem!). Ela conhece um pouco do cinema brasileiro e até me pediu uma indicação de um filme para ver. Pelo que me contou, ela quase nunca sai de casa, acorda as 6h da manhã e vive de chá verde! Uma típica japonesa. Toda vez que ela ri põe a mão na boca, talvez por vegonha, e hoje me disse que eu sou engraçada. Achei simpático, mas as vezes acho que a assusto um pouco. Ok, questão cultural. Acho que vou apresentá-la aos meus amigos coreanos e quem sabe até ensiná-la a sambar.

People

Aqui escurece tarde e amanhece cedo. Fico absurdamente perdida no tempo. Fui para escola hoje com a minha roomie que eu não consigo entender e nem pronunciar o nome dela. Estava absurdamente frio, acredito que eles não saibam ao certo o que é um verão. É preciso pegar o Luas, o metrô a céu aberto, e andar pouca coisa até a escola. Até aí tudo bem, mas jamais imaginei que eles sofrem do mesmo problema que nós brasileiros, metrô lotado. Eu na minha ingenuidade e sutiliza européia perdi 2 Luas até conseguir entrar dentro de um. Aliás, numa hora dessas confesso que blasfemei contra a minha correta amiga japonesa. Ela toda malandrona entrou no primeiro trem e me deixou, mas antes disse alguma coisa que eu não entendi. Ah, vale aqui uma observação, pior do que um irlandês falando é um asiático falando inglês. Difícil! Como ela havia combinado de ir comigo até a escola, confesso que relaxei e nem fui atrás para saber onde era. Quando eu já estava dentro do Luas esperando algum tipo de sinal para saber onde deveria descer, eis que vejo a japa girl na estação seguinte. Sim, ela não havia descido assim tão próximo para me esperar, a escola fica apenas uma estação de casa. Acredito que a escola fique numa área residencial nobre aqui de Dublin. As casas são enormes e lindas. Percebi que rola uma fixação por tijolinhos aqui, mas eles acabam tendo seu charme. Logo de cara conheci o Ming Wo (leia-se Mingu, mas ele também atende por Mango, como a fruta. Nem quero saber o por que), outro asiático, mas dessa vez coreano. Aliás, há milhares deles aqui. Na minha sala há uns 4 ao menos, todos de nomes impronunciáveis. Há também uma outra japonesa, dois italianos, dois tchecos e um russo. Outra observação, russos também tem problemas ao falar inglês, eles tornam a língua incompreensível por não abrirem a boca para falar (abri meu coração para a Susan sobre isso e descobri que ela tem a mesma opinão).
O Ming Wo se tornou meu mais novo amigo. Ele é meio esquisitinho e perdido, mas gente boa. Achava que ele era gay até me dizer que a namorada dele foi para o exército (?) sem dar explicações. Deduzo que agora deve ser ex-namorada, não perguntei. Ele foi comigo até o centro da cidade e ficou um tempo por lá, depois foi embora para jantar (sim, aqui temos horário para o jantar e geralmente é a única refeição que fazemos, afinal a comida é cara e o monte de batata do jantar é suficiente para 24h de sustento). A cidade é toda bonitinha e também lotada de turistas. Andei loucamente por diversos lugares que obviamente pretendo voltar para conhecer melhor depois. O jantar foi mais batatas, legumes e carne de porco. A Susan cozinha bem, agora não sei se há como ser muito criativa aqui com esse tipo de coisa.
Ah, ponto alto do dia: conversa entre eu, a japa roomie (na medida do possível) e o bêbado do Théo na cozinha.
O Théo é um irish man absurdamente engraçado. Descobri o que ele faz todo dia: bebe cerveja, fuma cigarro e aposta em cavalos. Ele era do exército irlandês e segundo ele, foi escalado uma vez para fazer as honras para a Rainha da Inglaterra. Ele contou isso todo emocionado e com lágrimas nos olhos. Pasmem, ele deve ser o único irlandês que não gosta de Guiness! Tomou uma única vez e achou terrível...Disse para eu não perder tempo e ir beber outra coisa..ahahaha...Também contou que morou uns 6 anos em Londres e que nunca ouviu pior sotaque do que o inglês, disse que eles são incompreensíveis! Ri por horas quando ele disse isso. O lema dele é "go out and enjoy yourself!" e depois diz que temos que rezar para agradecer por mais um dia. Acho que a japa girl ficou horrorizada ou não. Ela me contou que tinha um casinho com um japa boy lá no Japão. Começo a achar que ela é mais espertinha do que eu pensava, para mim japoneses não faziam esse tipo de coisa. Ah, e ela ficou em estado de choque por uns 5 min quando eu disse que colocamos açúcar no chá e repetiu por umas 25x seguidas " Oh my God!". Quase tive que acudí-la.

Ah, hoje o dia estava quente e ensolarado, na medida do possível. É engraçado porque todos os irlandeses ficam orgulhosos por terem dias assim. Amadores. =)

beijos verdes,
Ellen

P.S. - Também postando com atraso. E descobri que os cavalos são mais valorizados sentimentalmente aqui do que as ovelhas, em breve descobrirei a causa disso.