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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

let’s have some fun (?)

Há umas semanas atrás fui ao show do MGMT.
Nem me lembrava mais quando foi a última vez que estive num show. Achava que tinha sido no do U2, mas daí vi que isso foi em 2006. Faz tempo, mas não tanto. Agora não me lembro se foi no do Coldplay ou no do Chico Buarque? Não me lembro da cronologia dos fatos, mas ambos foram quando eu ainda morava em SP. Aqui, só show menores. Nessa brincadeirinha de volto ou não volto nunca consegui ter a certeza de que aqui estaria e os ingressos são vendidos com no mínimo 4 meses de antecedência. Esse pro MGMT foi de um show extra que eles resolveram fazer e sabe-se como ainda havia ingressos disponíveis.

Conhecer, eu conhecia cinco músicas (de todos os quatro álbuns já lançados). Sendo que duas delas descobri pouco antes e por causa do show. Sabe aquela coisa de Hmm....preciso baixar a discografia completa e chamar de minha banda favorita? Pois então, foi o que tentei fazer. Só que até hoje não escutei tudo que baixei e o MGMT ainda não é minha banda favorita.

O show foi bom e não foi. Foi do tipo morno. Pelo estilo das músicas poderia ter sido catastrófico ao vivo. Não foi.  Foi bom. O problema foi o lugar. Um teatro - o Olympia. Necessariamente não é uma coisa ruim, mas foi. Todos sentados e desanimados. A ordem das músicas a serem tocadas também pouco ajudou. Como a maioria das pessoas ali pareciam saber apenas as 3 músicas mais famosas (as mesmas que eu sabia)  faltou uma interação. Eles as tocaram, todos se levantaram, dançaram e cantaram. Daí, ao invés de aproveitar o clima animadinho que se criava, não. Eles sempre embalavam um som bem calmo em seguida. Daí todos se sentavam, se dispersavam, conversavam, iam ao banheiro, qualquer outra coisa que fosse. Além do fato que faltou carisma. Claro que houve um Obrigado Dublin e um Estamos felizes de tocar novamente aqui em Dublin. Coisas de protocolo. Se fosse eu que estivesse ali tocando, estaria chateada. No mais, trocaram uma ou outra palavra mais.
       

Só sei que como em todo lugar do mundo, e independente das circunstâncias, há o one more song. Eles fecharam o show com Kids (uma das 3), saíram do palco e o público continou a cantar. Eles voltaram e como sempre, depois de um chacoalhão, uma música dispersante. Porém, depois dessa, eles fecharam com a minha nova música favorita, Congratulations - uma das que descobri pouco antes e por causa do show. E que também é um pouco dispersante quando sentado. No entanto, fiquei radiante e feliz.


beijinhos tudo bem,
Ellen

sábado, 3 de julho de 2010

o fim da I qembu le sizwe

E como já teria dito o Extra....


Agora mais 4 anos até a próxima!
Doído foi, ainda mais estando num pub lotado de holandeses. Fim da Copa, fim das desculpas para um tête-à-tête mais do que semanal e também o fim das coxinhas-celebrativas vendidas em alguns pubs.

Culpa do Mick Jagger? Pode ser. A parte boa é que ele também se simpatiza pela a Argentina.

E que vença o Uruguai!

beijos desbotados,
Ellen

quinta-feira, 24 de junho de 2010

coisas que acontecem...

Como desgraça pouca é bobagem, há umas duas semanas atrás passei por dois dos momentos mais trágicos de minha vida.

Mantendo o ritmo dos amigos que vêm e vão, a Emilie (a francesa) foi-se embora - e a seleção francesa também! Há de se mencionar com alegria. Num final de semana cheio de comemorações e despedidas fomos todos a um pub tipicamente irlandês para tentar proporcionar a ela uma despedida tipicamente irlandesa. Porém, minha noite acabou mais brasileira do que nunca. Ok, comentariozinho besta esse. A verdade é que em 26 anos de minha vida nunca me tiraram nada em terras tupiniquins e aqui me levaram a carteira! Pois é, tenham compaixão. Meu singelo dinheirinho, todos meus cartões, meu visto e sabe-se-lá-o-que-mais -tinha-lá-dentro, se foram. Não sei como, quando ou quem. Deduzo apenas que tenha sido num intervalo de 10min, pois ainda tenho meu lado paranóico e faço meu check list carteira, celular e chaves a cada 10min. Porém, é como vovó dizia, vão-se os anéis, ficam os dedos (ok, minha avó nem dizia isso). Eu fiquei sem amigos e sem minha bonita carteira amarela que eu tanto gostava, mas cheia de papelada para resolver.

...


Três dias depois do tal ocorrido, e um pouco mais já conformada, esperava o bondinho para voltar para casa depois da aula. 9 min era o tempo até o próximo vir. De bobeira, bolsa vazia e pensando na vida fui abordada por um rapazote que estava em busca de informação. Ele achou que eu fosse daqui. Esclarecimentos feitos e informações dadas continuamos a conversar. Afinal, 9 min até o próximo trem. Conversa vem e conversa vai, ele me disse que era da Alemanha e havia chegado em Dublin no dia anterior. Eu disse que já levava um tempinho por aqui e era do Brasil. Ele disse que havia terminado o colégio e eu, a faculdade. E foi nesse exato momento que vi um ponto de interrogação se formar no rosto dele e fatídica pergunta não tardou a vir....


"Desculpa, quantos anos você tem?"
"Hmm...o suficiente"
"Do tipo?"
"26"
".........."

Perturbada com o silêncio e com os olhos arregalados dele, retruquei a pergunta.

"E você?"
"21"
'' ahnnnn..."

E foi assim que a conversa acabou. Eu que estava ali apenas tentando ajudar e fazer os 9min serem menos longos, acabei rejeitada pela primeira vez em minha toda vida pela idade que tenho.

Triste eu não sei, prefiro acreditar que foi apenas um ato imaturo da parte dele.

beijinhos já consolados,
Ellen

sexta-feira, 11 de junho de 2010

en las manos de Diós

Outros 4 anos se passaram e aqui estamos nós de novo na Copa do Mundo. Ou melhor, eu aqui e vocês aí. Confesso que é meio estranha essa sensação de passar uma Copa do Mundo fora do Brasil, mas não menos animada. Assim eu torço.
Não que a Irlanda seja muito assídua em Copas do Mundo, mas esse ano ela quase que foi. Merecia. Se não fosse a mão-amiga de Thierry Henry , hoje o país estaria mais verde do que nunca e a bandeira da Costa do Marfim não seria tão confundida com a da Irlanda. Bom, pelo menos demorei semanas para perceber a diferença entre elas. Sempre que via uma bandeirinha verde, branca e laranja achava que era por apoio moral. Afinal, se aqui na Irlanda eles resolveram não vender nada relacionado à França, por que não poderiam ter incluído coisas da Irlanda? Sinto-me menos geograficamente estúpida pensando assim.
Eu que nada tenho a ver com isso, fiquei doída com a derrota deles, então pode-se ter uma idéia de como eles ficaram. Conclusão, há pizzarias dando pizzas gratuitas a cada gol sofrido pela França durante a Copa, não se acha nem um par de meia da seleção francesa para  comprar e a minha reação favorita (vamos assim dizer) foi um selo lançado por uma rede de lojas de esportes daqui.
Support ABF (Anyone But France) Campaign On Champion Sports Facebook Page big photo
Há camisetas, bonés e se bobear até as meias com esse selo. Eu se divirto! E como a gente perde o amigo, mas não perde a piada eis a fotinho da Emilie* no dia em que estivemos nessa loja.

*minha mais nova amiga de infância e francesa. Ah, e o detalhe curioso é que a conheci durante uma das partidas entre França e Irlanda para a classficação da Copa.
DSC02141
E já que estamos falando em mãos, Dieguito não me sai da cabeça. Então, em homenagem aos nossos hermanos aqui estão alguns videozinhos bacaninhas que me fazem rir sempre que os vejo. Preciso compartilhar.
                      OK, a parte das latinhas é meio boba, mas o começo e a frase final são jóias!
 

                                                o final é o melhor!


                                                         adoro coisas falantes
Bom, que não vença nem a França e nem a Argentina. O resto colocamos em las manos de Dios!
beijos canarinhos,
Ellen

P.S – E o que a gente faz quando ele diz que torce para a Argentina? Afoga como as latinhas???

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Há!

Como nunca falei direito sobre o curso que fazia (sim, aquele que terminou há algumas semaninhas atrás) acredito que muitos (..muitos?) de vocês não saibam nem do que se trata. De uma maneira super-ultra-resumida, era um curso de alguns meses em Produção de Eventos e Relações Públicas. Ou mais pompuosamente em inglês: Event Management and Public Relations. Aliás, nome esse que me dava nos nervos todas vez que tinha que contar para alguém o que por aqui fazia. Ok, há a opção de abreviar o Public Relations para PR. Só que metade das pessoas não iriam entender. Se bem que essa mesma metade também não entendia quando eu dava o nome todo. Enfim. A boa nova é que meio que arranjei um quase-emprego. Sim, estou fazendo parte da organização de um evento. Hã, quão legal é isso?! =)
Na minha sala desse tal curso (onde eu era a única brasileira, por fim) havia um irlandês jornalista-e-técnico-de-futsal-gamadinho-no-Brasil (ou melhor no futebol brasileiro e suas variações). O time, no qual ele faz o papel de "professor" (adoro quando os Ronaldos da vida chamam os técnicos assim), metade dos jogadores são irlandeses e metade são brasileiros (claro!). Nessa atmosfera canarinha, ele pediu para ajudá-lo a organizar uma festa brasileira. Não, não será tipo uma churrascada para o time no final do campeonato. Aliás, nada terá a ver com o futsal. Só citei para situá-los do contexto. Será uma festa no melhor estilo brasileiro, no que depender de mim. Sei que há um propósito por trás de tudo isso (além dos fins lucrativos, claro), mas ainda não sei direito qual é. Amanhã nos reuniremos e descobrirei. Sei que estou mega animada e se tudo der certo, pode haver mais que uma edição!
beijinhos produtivamente relacionados,
Ellen
P.S. Perceberam que agora tenho acentos? Finalmente temos internet em casa de novo, ainda que emprestada (se vocês me entendem...)!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

vivendo e aprendendo

Nos últimos tempos não estava lá muito assídua a minha aula de inglês. Basicamente dois motivos: dedicação ao outro curso (que acabou há umas duas semanas) e a sensação de ter empacado. Sim, chega uma hora que parece que você não vai nem para frente e nem para trás. Conclusão, entrei numa fase autodidata-social. Sim, um livro para dúvidas gramaticais e novos vocábulos, e um novo-e-já-não-mais-melhor-amigo-nativo para conversas e um inglês menos coxinha e mais interessante. Só sei que depois dessa fase academicamente arisca, resolvi voltar à ativa (afinal, já está tudo pago) e confesso que está sendo um processo doloroso. Já não estudo mais na mesma escola do ano passado com meus amigos coreanos. Aliás, algo que vale a pena comentar é que todos já se foram, o que não quer dizer que eu tenha me livrado desse meu lado amarelo. Na minha nova escola há vários deles também. Como em todo mundo, acredito. E com uma variação a mais, os chineses. Fisicamente ainda tenho dificuldade em diferencia-los. Pelo menos quando estão em silêncio, pois estou chegando a conclusão de que os chineses são muito mais espalhafatosos do que os coreanos, e muito mais quando comparados à raça zen dos japoneses. Se alguém já foi a algum restaurante tipicamente chinês, sabe do que estou falando e na vida real não muda muito. Socialmente eles têm uma vida estranha, pelo menos aqui. Trabalham, trabalham e trabalham. Ou seja, dinheiro, dinheiro e dinheiro. A maioria só vai as aulas de inglês por causa do visto. Enfim, ema ema ema. Eles são bem barulhentos e aparentemente tem a cabeça maior e um pouco mais chata. Bom, mas até aí não sou nenhuma expert no assunto. Eles são uma espécie de italianos do Oriente. E quando algum deles não tem o dom para falar inglês, esquece. Impossível entender. É como se estivesse ouvindo um vinil de trás para frente, como as músicas versão-do-mal do Raul Seixas. Claro que não dá para generalizar. Na minha sala há um chinês com pinta de coreano. Não consegui guardar ainda o nome dele. Só sei que ele é bem bonzinho. Tem a cabeça mais oval do que redonda, é sempre super educado, fala dentro do limite aceitável de decibéis, sabe se comportar e tem um inglês super compreensível. Ponto para ele. E acredito que ele não saiba, mas já o considero meu melhor amigo dentro daquela sala. Agora só preciso conversar mais com ele. Dos demais, digo, da imensa maioria, eu quero é distância. Sei que isso soa super preconceituoso e que se eu tivesse a menor decência, jamais abriria meu coração publicamente em relação a isso. A questão é que meu limite de irritabilidade nesses casos é baixo, fazendo minha pessoa ignorar essa tal de coisas politicamente corretas. Ou seja, recomendo a pessoas ultramente sensíveis que parem de ler por aqui. Um beijo-tchau.

Resumindo, somos uma classe em sua maioria de chinos, coreanos, brasileiros e duas maurícias (sim, há vida nas Ilhas Maurício). Quanta gente desinteressante! Ninguém sabe nada sobre assunto nenhum. E nisso inclui coisas de seu próprio país, e não digo a história detalhada, mas coisinhas bestas que poderiam animar um pouco nossas aulas. Ok, os asiáticos têm lá suas loucuras culturais, mas tenho um amor fraternal por eles. Normalmente fico horrorizada, emputecida ou o que for por 5 segundos e depois passa. Aliás, acho que já comentei isso antes, mas na Coréia do Sul, eles passam 14h por dia na escola (!!!) e os meninos no final de sua puberdade são reclusos no exército por 2 anos (!!!). Considerando a disciplina asiática, presume-se que deveriam ser todos no mínimo gênios, além de possuir um ultra conhecimento em técnicas de guerrilha e sobrevivência. Só que não. Ainda não conheci um coreano que fosse capaz de dizer onde o Brasil está num mapa mundi antes de ter conhecido um brasileiro. Sim, choca. Não que sejamos uma super potência mundial da qual todos deveriam saber inúmeros detalhes. Só que não dá pra dizer que passamos desapercebidos ao olho nu num mapa. Das 14h diárias, doze eles devem aprender a fazer dobraduras e chips. Sei lá. Para não levar para o lado pessoal, os considero da turma do café com leite. As maurícias parecem ser ok. Fisicamente elas são parecidas com os indianos. E também adoram um adorno.Uma, eu conheci apenas ontem, e a outra só vi uma vez, mas acho que ela não gosta de mim. Outro dia, estávamos a falar de tecnologia e de invenções que mudaram a vida de uma pessoa. Eu particularmente adoro máquinas de lavar roupa e kettles (uma chaleirinha elétrica que ferve a água em menos de 5min. Algo usado à exaustão por aqui e agora por mim também). Enfim, comentários perdedores à parte. Tanta coisa a ser dita, e o ser humano em questão disse que o celular é a melhor coisa que poderiam ter inventado. Democrática que sou, respeitei sem relutar. Cinco minutos depois, falávamos do microondas e ela então iniciou um discurso chato sobre radiação e blábláblá. Finalizou dizendo que era completamente contra e que não usava por medo. Eu entediada com aquilo tudo, resolvi apavorá-la e revelei que muitos dizem que os celulares também emitem radiações e com um agravante, diretamente para a cabeça. Ok, essa parte eu não sei se procede, mas ela ficou meio em pânico e sem reação. Deve ter ficado incomunicável para a família. Já os meus-seus-nossos conterrâneos cada vez mais me deixam boquiaberta. Sei que fritarei no mármore depois de tal comentário, mas não sei como muito deles conseguem atravessar o oceano. Jesuzinho! Uma vez encontrei no ônibus um menino que era moleque de rua no Brasil e veio para cá com o dinheiro dos vizinhos para tentar dar uma vida melhor para os pais. Super fico sensibilizada com histórias assim. Até choro. Só que não são de dramas que falo. São pessoas estranhas mesmo. Tipo, a Valdivânia que é cabeleireira no Piauí, tem 42 anos , a procura-desesperada por um marido e veio para Dublin. Coisas desse tipo. Ok, cada um faz o que bem entender da vida. Só não avacalha. Essas Valdivânias da vida são um perigo. São daquelas que colocam botas altíssimas para desfilar nos paralelepípedos de Dublin, usam brincos gigantes de miçangas e vestem casacos super-ultra-peludos só para ficarem chique na Europa(?!). E não preciso dizer que nada acrescentam também. Ou melhor, envergonham um pouco até. Devo estar num processo de elevação espiritual, de aprendizado, de socialização. Não posso estar passando por isso tudo à toa. Ok, não são todos assim, mas a maioria. Durante a aula, sempre interrompem para fazer algum comentário do gênero infeliz. Nunca me esqueço do dia em que tivemos que levar receitas de alguma comida típica de nosso país. Uma das Valdivânias da vida, que já não se encontra mais na minha sala, levou do Passion Mousse. Para os iniciantes, o Mousse da Paixão (?). Devo ser uma pessoa amargurada e sem amor algum, pois se não estou enganada, creio que nunca comi isso nos meus poucos anos de existência e de morada no Brasil. E também acredito que seria incapaz de faze-lo já que no final o segredo era a tal da pitada de amor (?). Eu queria me afundar no chão por ela. E na tal da aula em que discutíamos sobre as invenções tecnológicas, meu professor nos colocou em grupos para inventar algum produto que gostaríamos que existisse. Qualquer coisa. Digo que meu professor escolheu os grupos, ainda que por questões logísticas, pois eu preferiria ter cruzado a sala e ido para algum canto mais misto ao menos. Sim, estava eu com mais dois brasileiros. Uma menina e um homem-menina. E lembram das kettles que tanto gosto? A poia sugeriu que fizéssemos uma, só que para esfriar a água. Como assim cara pálida? A não ser que você seja de algum lugar onde é necessário buscar água no açude, já deve ter se deparado com aquele bebedouro de galão com duas torneirinhas: água gelada e normal. E diga-se de passagem, estampadas com meu nome e com minhas iniciais. Ok. É só apertar e lá está sua água gelada sem precisar colocar na geladeira antes de passar pela torneira. Expliquei, dei exemplos e até comentei que ela deveria visitar um desses bebedouros que há a menos de 50m da nossa sala. Ainda assim ela não pareceu muito convencida. Eu ignorei. Se quiser que use a serpentina de um barril de chope. Como se um não fosse suficiente, discutíamos entre nós sobre teletransportes e essas baboseiras quando o homem-flor sugeriu uma tipo de teletrasnporte que mandasse namorados e irmãos mais novos para o espaço. Hã?! É tudo bem se você acabou de entrar na adolescência, mas aqui estamos falando de um homem no auge de seus já-pra-lá-dos-35 anos. Não é à toa que dizem que os gays são mais sensíveis. Ou eu realmente devo ser desprovida de sentimentos. E não preciso dizer que ele não teve o menor pudor e repetiu isso para toda a sala depois, e o pior, como se tivesse sido nossa idéia. Um buraco no chão dessa vez não teria sido suficiente. Eu inventando máquinas para mandar ex-namorados para o espaço? Tenho uma dor física só de lembrar. Vexaminoso. E para encerrar a semana, estávamos em dupla fazendo um exercício. Sim, cada vez mais eu odeio atividades interativas. E mais uma vez, não escolhi meu par. Estava torcendo para cair com o chinês-coreano que estava ao meu lado, mas não. Meu professor mais uma vez acertou em cheio ao me colocar com uma louca que estava atrás de mim. Dessa eu tenho medo. Brasileira também. Dos 30min que ficamos lado a lado não trocamos nem uma palavra. Juro. Bom, pelo menos não entre nós. Eu disse hello e ela não respondeu. Eu perguntei se ela concordava com minhas respostas, e ela não respondeu. Internamente fiquei aliviada por não ter que tentar conversar com ela de novo. Afinal, eu tinha tentado, ela não respondeu, ótimo. Esforço a menos. E eu tinha certeza de minhas respostas, ela não me faria mudar. Digo e repito, cada vez gosto ainda menos dessas coisas interativas. Enfim, só sei que a louca deve ser medicinalmente louca. Ela ficou os 30min copiando (idiotamente) todo o exercício, e ao final de cada frase copiada ela voltava ao início e reforçava com a caneta somente algumas letras (!). Daí fungava, gemia e cantava sozinha (!!!). Até meu professor notou e não tentou mais forçar a interatividade entre eu e ela. Eu estava petrificada na minha cadeirinha. Pedi perdão por todos as coisas erradas que tinha feito na minha vida até então. Estava convicta que uma hora ou outra ela iria me perfurar com aquela caneta. Ainda bem que estávamos em público. Nunca mais. Se antes eu queria sentar perto do chinês-coreano, agora eu só quero é sentar longe dela. Doida de dar medo.

Só sei que antes eu tinha dois motivos para não ir, agora eu tenho vários. Porém, vou continuar a ir. Vai que é minha missão na Terra! =)

Beijos atordoados,
Ellen

P.S. Obrigada a Pam que publicou esse texto! Continuo com a internet de lan house, ou seja, horas limitadas para tentar resolver problemas de HTML. =)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

procura-se

Ok...vamos por partes...
Domingo estava andando em busca de uma praia. Sim, fazia um dia atípico de sol e calor. Daí, no meio do caminho encontre isso....ou melhor, encontrei vários disso pelo caminho....

Daí dúvidas surgiram...
Quem tem uma coruja e a chama de animal de estimação?
Quem traria de volta uma coruja?
E como alguém perde uma coruja?

Enfim...

beijos encafifados,
Ellen

terça-feira, 26 de maio de 2009

onde ela é amiga da rainha

As últimas semanas foram meio que conturbadas, tanto na minha quanto na vida alheia. Claro que tudo em sua devida proporção. Deixando a minha um pouco de lado e falando de quem causou nas últimas semanas, Susan Boyle é o nome da vez. Ela é uma escocesa jocosa, meio caipirona e de visual meio duvidoso que a fazem perder credibilidade e parecer alguns bons anos mais velha do que seus reais 47 anos. Ela mora com seu gato Pebbles num vilarejo na Escócia e nunca foi beijada. Ou seja, perfil ideal para uma bonachona. No entanto, ela resolveu ir além dos muros da Igreja local da qual faz parte e foi parar no Britain´s Got a Talent. Esse é um programa de TV mega popular desse lado do planeta. É como se fosse um American Idol (ou o tal do tosco, porém engraçado, Ídolos na versão brasileira), mas melhoradinho. Enfim. Lá foi ela com todo seu charme e simpatia cantar para concorrer ao prêmio final, que se não estou enganada é algo em torno de 100mil libras. Acho! E pelo que parece, o vencedor também se apresenta para a rainha. Sim, a majestosa Elizabeth deve estar com crises de popularidade. Enfim, pouco importa. A questão é que a mulher virou celebridade do dia para noite. Longe de mim fazer juízo de valores agora, só sei que quando ela entrou no palco acabou virando meio que piada pronta, arrancando risos do mal da plateia e piadinhas meio que humilhantes por parte dos jurados. Ok, ok. Só sei que a tal da Susan Boyle disse que iria cantar, não deu a mínima (ou foi pura inocência em não ter percebido o que estava acontecendo, o que eu acho mais provável) e ainda disse que queria ser igual a uma mulherzinha-lá-que-eu-não-faço-a-menor-idéia-de-quem-seja, mas pela risada que todo mundo deu quando ela falou, acredito que deve ser alguém famoso e no mínimo bom. Daí Susan Boyle deu uma reboladinha da qual também prefiro omitir opiniões e começou a cantar. A reação foi a mesma para todo mundo, aquela voz simplesmente não combinava com aquela imagem e todo mundo se calou. A amiga dos gatos deu um show. No final, os jurados pediram desculpas por terem sido uns manés aos julgarem ela pela aparência. Ficaram chocados. Assim como todos, creio. Disseram até que foi um privilégio a ter escutado cantar. E quem já assistiu a esse tipo de programa sabe que os jurados não são dos mais sensíveis e simpáticos. Sei agora que Susan Boyle é mais falada do que a gripe suína. O vídeo de sua apresentação foi visto por mais de 80 milhões de pessoas (!!!!) no You Tube, ela já foi citada nos Simpsons, deu entrevista pra Oprah e pro Lerry, tem Wikipedia sobre sua pessoa (!?) e talvez vai virar filme. Dá-lhe Susan!!!

o tal do vídeo visto por mais de 80milhões (está em inglês, mas vale a pena!)


Esse final de semana que se passou foi a semifinal do programa e claro que ela está dentro. Foi aplaudida de pé. E vale mencionar o tapinha que ela deu no visu, vamos assim dizer. Vestidinho de brilho, maquiagem leve e acho que até uma tinturinha no cabelo. Porém, continuou com aquele arzinho campestre. E é assim que tem que ser. Susan Boyle por um mundo melhor!

apresentação na semifinal (inglês de novo, mas também vale a pena!)

Semana que vem é a final, e certeza que ela será a próxima queridinha da rainha!

Vamos que vamos Boyle!!!

beijos afinados,
Ellen

P.S. Rola um bafafá que depois da apresentação na semifinal, a Susan se assanhou e deu um beijo nos bastidores em um dos jurados por quem ela morre de amores! Se vocês assistiram o 2o. vídeo até o final, ele é o tal do Piers pra quem ela dedica a tal da reboladinha comemorativa. Piers baby! =)
P.S.2 Super me simpatizo pela Susan, mas o Darth Vader que dança Michael Jackson…poxa vida! Gostaria de vê- lo com a rainha…
P.S.3 Se você ficou com preguiça de clicar no nome citado acima, tenho que dizer que é um vídeo que também vale a pena.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Um dia de Geni

Sexta-feira passada foi meu dia de cão.
Como não tenho aula esse dia da semana, a idéia era dormir até mais tarde. Só não dormi como acordei ainda mais cedo que o normal, lá pelas 6h50. Se fosse de minha vontade até vai lá, mas não, foi da vontade da minha querida-temporária-e-alemã colega de quarto. Ah, vale a ressalva de que estou morando temporariamente num albergue (no sentido menos social da palavra). Até que é bem bacaninha. Em uma semana, já passei por vários quartos com várias pessoas diferentes. Umas bem legais, outras tudo bem e algumas que nem percebi que aqui tiveram. Essa da terra do homem do bigodinho foi a mais notável. Ela veio passar uns dois dias em Dublin com uma amiga. Eu até que tentei, mas apenas trocamos duas palavras, hi e bye, já que ela estava na cama de cima da minha e precisávamos ser ao menos educadas. A amiga era divertida, mas já a pequena notável, desnecessária. Eis a lógica do negócio:
- Aqui o café da manhã é servido das 8h até 10h;
- Um europeu não demora mais do que 10 minutos no banho;
- Normalmente num albergue, as malas nem são desfeitas;
- Ir do 3º andar (onde era o quarto) ao 1º andar (onde o café é servido) não leva 3 minutos.
Ou seja, qual a necessidade em acordar com tanto tempo assim de antecedência num quarto onde todos estão dormindo e a luz está apagada e nada se vê? Ok, ela pode ter perdido o sono. Ficasse quieta. Não, a doce menina fez o trajeto cama-chão repetidas vezes usando, é claro, a escadinha que fica ao lado da minha cabeça. Cada vez que chegava ao chão ela abria a mala ou tocava em ruidosas sacolinhas plásticas. Na cama, era a síndrome das pernas inquietas. Fiquei arrependida de não tê-la mandado a merda dormir de novo. Ponto para ela. As 8h, ela foi tomar café da manhã e eu dormi de novo. Ela voltou e eu acordei. Daí, ela dormiu (!!!!!!!!!) e eu aproveitei para dormi também. As 9h ela, que já estava acordada de novo, foi secar o cabelo. E para que usar o secador que há no banheiro com a porta fechada? Ela teve a solidária e sagaz idéia de ligá-lo no meio do quarto (!!!!!). Simples assim. Mais um ponto para ela. Eu bufei, levantei e quase rosnei. Fiquei mais uma vez arrependida de não tê-la mandado dormir. Numa atitude nobre de minha parte, fui tomar um banho-não-europeu e a fiz esperar horas só para escovar os dentes. Ponto para mim. Depois saí sem ao menos dizer bye dessa vez.

Depois de enrolar toda a manhã, fui almoçar com a Bora, a Ka Hee e a Heesun. Sim, são pessoas e sim, são nomes de meninas. Era despedida da Bora. Triste. Super inovando, fomos num outro restaurante coreano, muito mais gostoso. Por coincidência, encontramos o Mingu por lá. Era despedida dele também. Triste. Eu havia sido convidada, disse que não poderia ir, mas, no entanto, lá eu estava. Situação confortabilíssima. Na verdade, fui forçada a negar o convite dele. Por mim, iríamos todos juntos. Só que coreanos são estranhos. Como só a Bora conhece o Mingu, seria muito chato se juntássemos todos e todos passassem a se conhecer (!). Coisas da mente amarela. A coincidência, no final, foi feliz. Acabamos almoçando meio que juntos, mas claro que em mesas separadas (!). Ponto para mim. Na tentativa de adiar o tchau definitivo, falei para as meninas que poderíamos ir a algum pub à noite. Só que seguindo a linha de raciocínio amarela, fui gentilmente não-convidada para a festa de despedida da Bora. Ela iria sair com os amigos da sala dela (que há 1 mês atrás era minha também) e como eu não os conhecia, não poderia ir junto (???). Ponto para ela. Quando perguntei ao Mingu o que ele iria fazer, tive a mesma resposta “Vou sair com o pessoal da minha sala”. Péhh! Ponto pra ele. Assim, jogada as traças, voltei para o albergue.


a comida é coletiva e meu prato preferido é esse primeiro. Não sei bem do que se trata, mas é lula preparada de um modo coreano


super no clima do korean gesto

Ao entardecer, tinha um apartamento para visitar. Sim, estou à procura de algo menos coletivo e mais pessoal para morar. Enfim. Coloquei meu super casaco xadrez que eu tanto gosto e lá fui eu, a pé, conhecer um apartamento para dividir com duas francesas. Como as ruas aqui em Dublin nem sempre têm nomes, não era por menos que eu não achasse a que queria ir. Parei por segundos para pensar numa alternativa, quando um casal de brasileiros simpaticíssimo passou por mim. Ele dizia a ela “Tudo aqui é estranho. Esse povo é esquisito. A comida...o estilo...as roupas...olha essa coisa quadriculada”. Sim, era eu e meu casaco. Enfim. Liguei para a francesa avisando que estava perdida e nada dela responder. Mandei mensagem, liguei de novo e nada. Ou seja, fui lá à toa e fiz papel de boboca. Ou melhor, elas é que eram bobocas. E mais uma vez jogada as traças resolvi voltar para o albergue.

Durante meu trajeto, cruzei com duas jovens irlandesas perturbadas. Elas falavam escandalosamente. Por algum motivo muito obscuro dentro daquelas cabecinhas cheias de nada, uma delas segurou meu braço (?!). Vai ver ela queria meu casaco. Ainda bem que ela logo soltou e não tive maiores problemas. Só que na mesma rua, um pouco mais a frente, passei por um grupo de fedelhos e fedelhas. Eu estava de um lado da rua e eles do outro. Deviam ter uns 12-13 anos, todos alvos, usando cortes de cabelo de gosto mais do que duvidoso, agasalhos de moletom e tênis do tipo Keds. Quando eu tinha a idade deles, também era a moda usar Keds. A diferença é que na minha época só as meninas usavam. Enfim. Eles são os garotos problema de Dublin, segundo meu mais novo amigo irlandês que depois venho a contar dele, esses delinqüentes são conhecidos como Scumbags. Já cruzei com vários deles por ai, mas nunca tive problemas. Só que como dizem, se tudo pode ficar pior, por que não ficar? Para encerrar o dia em grande estilo, esses dementes jogaram pedras em mim (?). Assim, super normal. Coisa de gente sã. Pelo menos as pedras não eram grandes. Não fiz nada, nem olhei para o lado. Só queria sair dali. Pensamentos muito do mal me passaram pela cabeça e a minha vontade era de apedrejá-los com tijolos ou blocos de concreto, caso eu conseguisse erguer um. Nem nossos faveladinhos se comportam de maneira tão selvagem. Bando de amadores.
Finalmente, depois de conseguir chegar sã e salva no albergue, resolvi que dali não sairia mais. Pena que resolvi isso tarde demais. Nunca tinha participado de tanta desgraça. E muito coxinhamente falando, o que me abalou mais mesmo foi o casaco. Não, não foi. Fiquei bem triste que meus amigos jaspions foram embora. Sentirei falta dessa complexidade de seres humanos. E voltamos ao alto custo social em fazer amigos. Pontos para eles.
Beijos em quarentena,
Ellen

Scumbag: é usado para descrever alguém que não vale nada, tipo a escória humana.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fáilte!

Cá estou novamente. Aos desavisados, já fui e já voltei, só não avisei. Quero dizer, não publicamente. Como nem tudo que é bom obrigatoriamente dura pouco, junto comigo volta o blog. Olha que jóia. E volto numa versão super revigorada-a-la-gás-total. Além é claro de um pouco mais baiacu (pelo mens uns 250 kg exageradamente espalhados por toda minha extensão) e um bronzeado de fazer inveja a mais rosa das pessoas. É o que acontece quando pessoas são privadas de boa comida e luz solar por um bom tempo. Ou vai ver que é o calor que incha. Vai saber.

Cheguei ontem quase a noite. Se antes eu descascava por causa do calor, agora descasco por causa do frio (!!). Agora faz 1°grau e chove levemente. Dizem que a sensação térmica é de -4°. Que seja. Continua frio. Eu gosto. Hoje fui dar umas voltinhas pela cidade. Claro que ela não mudou estruturalmente, mas a neve que resolveu cair após 20 anos deu um charme a mais. Ao contrário do que todos pensam, não é comum nevar em Dublin. Só que esse ano, tudo que não havia nevado, nevou. Agora restam alguns montinhos brancos espalhados, lagos congelados nos parques e a água da neve derretida nas ruas. A previsão do tempo diz que irá cair alguns floquinhos essa madrugada e talvez amanhã. Veremos. Depois eu conto para vocês.
beijos refrescantes,
Ellen
P.S. Nas minhas andanças, acidentalmente, já encontrei uma das coreanas. A Ka Hee. Não sei se já falei dela antes, mas é uma das muitas. Estudávamos juntas e ela normalmente fazia parte da trupe que me acompanhava ao korean restaurant. E depois dizem que Jaú é pequena. Ahã.
P.S. Claro que gostei de ter encontrado a Ka Hee, mas gostei mais ainda de ter visto vocês.

*Fáilte = bem vindo em gaélico

sábado, 19 de julho de 2008

All yellow 2

No sábado acordei com meu telefone tocando adoravelmente as 7h da manhã!!! Fiquei nervosa. Só fui conferir quem estava ligando por desencargo de consciência, afinal acho muito díficil alguém de casa me ligar ás 3h da manhã do Brasil. Para minha revolta silenciosa era a minha outra amiga japa (essa está na minha sala). Ok, eles dormem cedo, acordam cedo e talvez por isso vivam mais, mas carambola! Eu sou ocidental e sim, minha expectativa de vida é mais baixa e eu convivo muito bem com esse fato!!! Num ato vingativo, não atendi. E ainda coloquei no mudo! E não, não pensem que fui mesquinha. Sabia exatamente qual era conteúdo da conversa e por isso fiquei ainda mais nervosa que até perdi o sono. Ela e a Borat iam fazer um passeio durante o dia numa cidade aqui perto, elas me convidaram, mas recusei pelo preço (20 euros). Há maneiras mais baratas de se ir para esse lugar. Ou seja, depois do convite ser recusado com uns 3 ou 4 dias de antecedência, poderia dizer que lavei minhas mãos e não tinha mais nada a ver com isso, óbvio. Só que existem seres humanos e seres humanos no mundo, e esse ser humano japonês me liga para saber onde estava a Borat, pois provalvemente ela ainda não deveria ter chegado (o passeio era as 8h e ela me ligou as 7h, ou seja, é óbvio que ela não tinha chegado. Ninguém deveria ter chegado ainda!) Agora pergunto eu, como eu poderia saber onde ela estava?! Embaixo da minha cama e no meu bolso é que não era! Ah, faça-me o favor! Vá colher alga! Depois disso cheguei a conclusão que gosto ainda mais da Hiromi. Como já havia emputecidamente acordado, arrumei meu quarto, separei minhas roupas, tomei café e dormi de novo até os seres humanos normais acordarem e assim eu estar possibilitada em fazer algo. Começando o dia novamente, fui para o centro da cidade para conhecer alguns lugares ainda obscuros para mim. Diria que aqui é um ótimo lugar para se fazer compras! Encontrei blusas por 4 euros, calças jeans por 9 euros, milhares de meias por 3 euros. (Mãe, não comprei nada, fique tranquila). Quer dizer, na verdade comprei um livro. Fui numa livraria e eles estavam com uma promoção de compre um e leve outro gratuitamente. Resolvi a começar minha leitura em língua inglesa com dois autores clássicos irlandeses: Oscar Wilde e Marina Keyes(!)..rs...Andei loucamente pela cidade, vi várias coisas inusitadas como um barco um barco viking que eles utilizam para fazer tours e várias pessoas caracterizadas a la Asterix e Obelix. Sempre turistas. Também conheci o Spire, que é nada mais e nada menos que uma agulha gigante de 120m no meio de uma das principais ruas daqui. Ele foi construído em 2002 no lugar em que havia uma estátua construída pelos britânicos em 1808. Essa estátua foi destruída em 1966 pelo IRA, e há 6 anos atrás a cidade recebeu essa nova escultura. Dizem que é a maior do mundo. Hoje, serve como ponto de encontro, já que é impossível não vê-la. Fora isso, encontrei muitas coisas brasileiras aqui. Bananas, havaianas sendo vendidas a 30euros, muitos livros do Paulo Coelho e a camiseta da seleção tristemente em promoção, de 55 euros por 30 euros. Mais barato que no Brasil.


City Centre e no fundo a agulha de 120m



Spire


Viking Splash Tour (!)
Sim, eles pagam por isso e eles ainda tem gritinhos de guerra


Eles têm bananas


uma fileira de Paulo Coelho (?)

P.S. 3 - Continua...

All yellow

Bom dia meus noveleiros de plantão!
(embora acredite que todos vocês ainda estejam dormindo)

Depois de um curto período de abstinência daqui, estou de volta. É o tal do custo social que anda me roubando tempo. Ainda não saí do período de prospecção de novos amigos. E já que tal assunto foi mencionado, confesso que fiquei radiante ao saber que tenho mais de cinco (!!) leitores. Acredito que agora já somos em sete! Meu número da sorte (embora nunca tenha ganhado nada usando esse número em apostas e essas coisas).

Como hoje já é sábado de novo, vou atualizá-los dos últimos acontecimentos do final de semana passado (super em tempo real). Tudo começou na sexta-feira (óbvio, como todos os finais de semana no mundo inteiro) quando consegui um feito inédito: levar minha roomie-japa-girl dar umas voltas por aí. Esse "por aí" traduzam como "Temple Bar". Acho que a vila de pubs é magnética, todo mundo vai para lá. Ou talvez seja a única opção. Confesso que ainda não averiguei de fato. Digo que foi um feito, pois vocês já sabem dos hábitos japoneses e até a Susan veio me pedir para tirá-la um pouco de casa (ok, não vamos entender esse tirá-la de casa como um ato rude do tipo "caiam fora") e tenho que dizer que foi bem bacaninha. Aliás, sexta-feira foi um dia atípico, pois além disso, foi a primeira vez que não comi batatas. O jantar foi arroz(!!!!!), ervilha e frango (senti como se estivesse em casa). Aqui faço uma observação. Sexta-feira é o dia oficial das bye-bye parties (não sei o nome real, eu as chamo assim) que é quando algum(s) dos colegas de classe vai embora. Daí acontecem encontros ou festinhas para dizer tchau, pois toda semana tem gente nova chegando e indo embora. Ainda mais no verão (?) onde a galera da Europa tem 2 meses de férias e eles passam algum tempo aqui estudando. Enfim, retomando...tinha uma dessas festinhas para ir na sexta-feira e havia combinado com a Borat (que está na mesma classe que eu) de irmos dizer tchau para o Giácomo (um tiozinho italiano engraçadíssimo). Foi nesse contexto que convidei a japa-girl para se juntar a nós. Até aí tudo muito bonito, mas mais uma vez cheguei um pouco depois e a korean-girl já não estava mais lá. Mais uma vez fiquei preocupada, e mais uma vez fui magnéticamente atraída para o Temple Bar, junto com a japa. Tenho que reconhecer, ela é engraçada! Ainda que de um jeito asiático... Andamos pelas ruas onde os carros são sabiamente proibidos, paramos para escutar algumas pessoas tocando nas ruas e digo mais, fizemos um novo amigo bonitinho e não asiático (também acho díficil encontrar essa característica em alguém que tenha essa origem). Acho que a japa ficou toda animada e caidinha por ele. Disse isso a ela, e como sempre, sua reação foi rir com a mão na frente da boca toda encabulada. Ou seja, ficou caidinha. E agora a japa-girl tem um paquerinha aqui! hahaha...Isso me abalou internamente, já que estava há uma semana construindo uma imagem nipônica pura e zen. Primeiro o quase namorado e agora um novo affair?! Bom, depois de tal inesperado-e-produtivo encontro fomos a alguns pubs em busca de irish music (esse tipo de música é mais comum durante a semana nos pubs, principalmente às quintas-feiras). Primeiro entramos em um que a música não era irish, mas era boa. Tocou Coldplay e a japa-girl foi a loucura e na volta para casa encontramos um com irish music e passamos um tempo lá. Houve um momento muito bonito em que fiquei realmente feliz. A japita, minha roomie, disse que aquele tinha sido o dia mais feliz dela aqui em Dublin. Ela havia se divertido muito e até me pediu desculpas por não conhecer pubs aqui para me levar, afinal ela já está há 2 meses aqui. Fiquei realmente sensiblizada e agora a chamo de crazy-japanese-fish-girl. Ela é boa gente.



Temple Bar (sim, isso era a noite)



Rio Lifey a noite - ao lado do Temple Bar
(ok, podemos dizer que a foto está meio impressionista. Estava frio e eu estava tremendo, por isso ficou assim. É só para vocês terem uma idéia, pois realmente é muito bonito.Uma das paisagens que eu mais gosto aqui. E também tenho 6 meses para tentar algo melhor)


Aliás, sexta-feira é um dia muito louco aqui. Sei lá o que acontece. As mulheres européias ficam endoidecidas e saem todas pateticamente vestidas com camisetas pink iguais do tipo "aniversário de 30 anos da Vick" na frente, e nas costas há seus nomes customizados e uma palavra chave que as descrevem como "Wild Ann", "Crazy Abbey" e por aí vai. Também usam chifrinhos e chapéus de plumas rosas. Usam vestidos e sandálias de salto num verão de 15 graus e em ruas de paralelepípedos. São um tanto quanto eufóricas eu diria. Acho que é algo patológico. Espero não chegar assim aos meus 30 anos, e muito asustada com isso, inclui essa cláusula nas minhas preces diárias. Normalmente esse povo é tudo turista. Alguns homens não são dos mais normaizinhos também. Sabe-se lá pq, mas eles saem fantasiados nas ruas. Deve ser algum trauma ou deficiência ocorrido durante a infância.



Essa daí não estava fantasiada, mas dá para se ter idéia da elegância. E quem leva a fama somos nós brasileiras, e nós ainda temos motivo: calor! Esse dia deveria estar uns 15 graus. E pelo amor essa roupinha! Nem aos 40 graus!


Liga da Justiça e amigos

P.S. Estava colocando as fotos aqui e descobri que o máximo por post é de cinco fotos. Como tenho mais do que isso e o tamanho desse texto ficou assustador, irei dividí-lo em três partes, ok? Então recomendo lerem tudo de uma vez, fará mais sentido.

P.S.2 - Continua...(óbvio)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Flynn

Olá meus potes de ouro,

Hoje estou postando em tempo real e preciso dizer a vocês duas coisas: não jantei batatas e estou queimada de sol! E digo mais, agora descascando (não as batatas, mas minhas bochechas). Hoje faz exatamente uma semana que estou aqui, e fazendo um balanço posso concluir que dos 7 dias em 5 comi batatas (suflê de batata, omelete de batata(!), purê, muito purê e mais purê assado com salmão). Ou seja, quando voltar se preparem. Larguei o strogonoff! Agora só batatas e suas diferentes aplicabilidades.


Há! Na cozinha.
(antes)


Indelicado tirar a foto do prato durante o jantar
(descanso das batatas na noite anterior)

P.S.- Acho que descobri porque os asiáticos tem essa obssessão pela minha pessoa. Sou excessivamente branca! Para eles, isso é o que há! Fazem de tudo para serem os mais brancos possíveis. Ou seja, lá Michael Jackson e eu somos reis! Agora bronzeada, não sei o que se sucederá. Outra descoberta importante, acho que os cavalos são mais valorizados do que as ovelhas porque eles fazem dinheiro rápido. O Theo apostou 4 euros sábado e ganhou 15. Bebeu todo o prêmio.
beijos morenos,
Ellen
Em breve escreverei sobre meu final de semana e como peguei uma corzinha!=)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Cheers!

Como já adiantado no post anterior, quinta-feira passada fui pela primeira vez ao Temple Bar. Para quem não sabe, é uma região aqui (óbvio) onde a concentração de pubs é ainda maior. Fica ao lado do Rio Lifey (rio que divide a cidade ao meio), as ruas são de paralelepípedos (e?) e os carros são sabiamente proibidos lá. Ainda não sei se é por causa do verão (?), mas o negócio vive lotado. Como não cheguei a tempo para encontrar a Borat, fui sozinha. Foi divertidíssimo. Aqui as pessoas são ótimas, então fiz novos amigos e pasmem: europeus! Tá, ok, entre eles um inusitado jordano também. As ruas vivem cheias de gente tocando algum instrumento, e geralmente são todos muito bons. Ou seja, ganha então quem tiver o melhor amplicador (estou aprendendo Zé).
Como era minha primeira vez ali, tinha anseios turísticos. Escolhi então ir beber uma pint de Guiness e escutar irish music num visualmente conhecidinho pub vermelho de esquina. Eu o chamo de red one. Ele está em todos os cartões postais. Na verdade ele segue a linha da criatividade irlandesa e se chama "Temple Bar". Aliás, até eu me perder e ter que pedir informações de como chegar ao Temple Bar, pensava que ele (o pub) era realmente o único e exclusivo Temple Bar. Senti estranheza ao escutar: Ah, v. vai por ali e blá-blá-blá e quando chegar ao pub azul, ali começa o Temple Bar. Como assim?! Será que eles gostam tanto assim da coisa que há um pub feito de outros pubs? Quase isso! É uma vila de pubs. Ou seja, o Temple Bar pub abarganhou o nome. E sim, ele é só mais um no meio da multidão, mas é o red one.


Red One lá pelas 22h (!)

Como em toda a cidade e em todo o resto do mundo, havia milhares de pessoas lá dentro. Logo que v. entra já é possível sentir o cheiro da cerveja. Talvez porque todos estão de boca aberta cantando. Bafo concentrado. Como nos filmes, eles adoram cantar e tenho que confessar que eles são jóias! É tudo muito animado. Cantam, pedem música, dançam (quando há espaço) e batem palmas. Talvez eu aprenda a bater palmas no ritmo, e digo mais, talvez volte craque! =)
Fui ao balcão (só assim que se pede cerveja aqui, nada de champion, little wild, fella e etc. Tudo isso é inútil para chamar garçons. Até mesmo pq acho que eles jamais te ouviriam chamar) e pedi minha primeira pint. Aguardado alguns minutos e tendo visto algumas pints de outras cervejas serem entregues, achei que ele tivesse se esquecido. Num ato de pureza e inexperiência começava a inclinar meu corpo sobre o balcão quando o simpático irlandês murmurou algo como "aqui está" (só palavras chaves nas frases ditas pelos irlandeses). Sim, há todo um demorado processo para tirar a Guiness. Ela é densa e v. precisa esperar ela se acomodar no copo. Quase poético. Ou talvez seja apenas pelo drama e assim manter a fama, não sei. Irei descobrir o quão necessário é. Outra coisa que notei é que é comum servirem ostras nos pubs. Ainda não sei se é tão comum comerem aqui ou se ainda é só em pubs e pela tradição, mas sei que eles comiam muitos frutos do mar aqui bebendo Guiness (lembrem-se que estamos em uma ilha!). Eu ainda não gosto de ostras. Talvez ainda prefira batatas.


Auto-explicativa
(ok, não foi das melhores fotos)


Por dentro de um irish pub


Se quiser aumentar, é só clicar na foto =)

beijos densos,

Ellen

sábado, 12 de julho de 2008

Where the streets have no name

Hoje passei o dia perdida. Logo após a aula fui resolver uma das partes burocráticas da minha estadia aqui: abrir uma conta em um determinado banco. Já vi o tal do banco em diversos lugares aqui em Dublin, mas não, tinha que ser na agência indicada pela escola e então lá fui eu sabe-se lá para onde. Tinha as cordenadas traçadas em meu mapa por uma caneta grife pela Ann, a tiazinha pau-para-toda-obra da escola, e o sábio conselho de perguntar a alguém sobre o Dublin College (universidade em frente ao banco) caso eu me perdesse. Analisei o caminho todo, calculei uns 20 minutos e parti. Duas horas depois e eu ainda caminhava pelas ruas. Ok, sei que tinha um mapa em mãos, mas as ruas aqui não são sabiamente nomeadas. Quando v. pensa que está caminhando em determinado lugar, esse lugar já mudou de nome e v. não viu isso em nenhum lugar e pq? Pq não há placas! Ou melhor, há! Só que elas aparecem muito tempo depois. E claro, poderia ter perguntado a alguém ao invés de ficar ridiculamente andando, mas simplesmente não há esse alguém! Acho que o bairro é tão residencial, mas tão residencial que as pessoas só ficam nas residências. Quando já inciava minhas preces indicadas pelo Theo, eis que surgiram dois pequenos seres alvos e ruivos tomando sorvete (?). Tinham no máximo 12 anos. Eram meu oásis. Confesso que me senti rídicula. Um deles foi me mostrar onde eu estava no mapa e para onde deveria ir, e eu já não estava mais no mapa. Havia andado tão mais para o lado que eu não tinha esse pedaço. Depois de algumas explicações e lá fui eu de novo. Uns 5 minutos depois e quem eu vejo? Os mesmos dois garotos, ou seja, errado de novo. Aliás, aqui v. pode andar em círculos por horas sem perceber, as casas são todas iguais. Acho que sensibilizados, eles resolveram me acompanhar até metade do caminho. Quando eu só tinha que andar em frente talvez por uns 10-15 min, começou a chover em grande quantidade, porque aqui nunca chove forte. A precisa rota que a Ann fez para mim com caneta grife foi por água abaixo (excelente trocadilho e super-aplicável no momento), ainda bem que os garotos já tinham me colocado no meu caminho. Foi a pior chuva que vi desde que cheguei. E o guarda-chuva não funciona para todos os tipos de chuva que aqui existem. Ou seja, uma faixa do meu corpo ficou realmente ensopada. Minutos depois, iniciou-se um vento forte. Fiquei seca. Finalmente cheguei no banco, abri minha conta e quando sai estava sol! Vai entender. Ok, retomemos a história, mas antes uma pequena obsevação. Eles não têm portas giratórias nos bancos (uhu)! V. aperta um botão e fica como se fosse num pequeno hall esperando o outro sinal de "ir em frente". Durante esse tempo sabe-se lá o que acontece, mas eles ficam sabendo se v. pode ou não entrar, e se puder é só ir em frente. Enfim, retomando...

Depois de ser atendida e fugir de alguns brasileiros no banco, peguei meu super-útil-mapa, tracei a rota com o dobro de atenção e prometi a mim mesma não me perder. Minhas pernas agradeciam por isso. Estava tudo indo muito bem quando eis que surge uma bifurcação e adivinhem? Sem nomes nas ruas que se seguiam! Obviamente peguei a direção errada. A parte boa é que toda vez que v. olha para um mapa aqui e faz cara de pensamento (?) alguém para perguntar se v. precisa de ajuda. Achei isso tão bonito. Inclusive havia um cara andando de bicicleta que parou e esperou por mim para saber se estava tudo ok. Por causa dele, achei o caminho de volta de casa. =)


Criatividade irlandesa. Talvez por isso eles só comam batatas.


Fiquei conversando com a Susan e com o Peter por um tempo e depois, como se não houvesse andando ainda o suficiente, fui ao supermercado. Comprei cookies (deliciosamente bons e baratos) e irish apples (eu não sei o que isso exatamente siginifica, mas eram as mais baratas). Aliás, falando nisso, hoje não encontrei o Mango na escola. Estranho, porque normalmente ele vai atrás de mim. É engraçado. Acho que eles devem andar em bandos na Córeia. Aliás, fiz uma coisa terrível hoje. Resolvi levar os asiáticos para a tal da brazilian party e no fim, apenas a Borat manteve o plano inicial. Combinei com ela de se encontrar numa das estações do Luas e eu perdi a noção do tempo. Na verdade aroveitei que a Hiromi estava comunicativa (???) e fiquei conversando com ela. Cheguei um pouco depois e não encontrei Borat. Fiquei realmente preocupada, ainda mais se eles realmente andarem em bandos. Resolvi então ir a um pub. Obviamente chegar até a um deles não parece díficil se v. estiver na Irlanda, mas se eu estiver indicando 0 caminho provavelmente isso aconteça. Não sei porque isso acontece. Eu que já me arrastava pelas ruas, andei mais. No final das minhas forças, achei o Temple Bar e decidi que a partir de agora se eu quiser ir para um direção, certamente irei para o lado oposto.

P.S. - Postado com alguns dias de atraso (fato ocorrido quinta-passada, 10/7). Ok, sei que devo postar logo quando acabo de escrever, mas as vezes falta um pedacinho. Já já escrevo sobre o Temple Bar.
beijos mapeados,
Ellen

quarta-feira, 9 de julho de 2008

It´s raining!

Acabo de jantar mais batatas. Se não tomar cuidado, corro o risco de me tornar a própria. Ah, uma coisa que percebi aqui é que eles tomam água durante as refeições. Ela é servida gelada, na jarra e geralmente vem da torneira. Mesmo na escola, não há bebedouros e sim jarras. Aliás, é muito tudo bem beber água da torneira aqui, um custo a menos.
Hoje conheci a chuva irlandesa. Insisto, eles não sabem o que é verão. Como chove e venta nessa cidade, mas posso conviver bem com isso. Agora a noite, o tempo está melhorzinho e segundo o otimismo do Theo, amanhã será um lindo dia (?).Aliás, hoje é o aniversário dele e como sempre recebemos mais conselhos sábios após o jantar (único momento do dia em que nos encontramos). Primeiro o "enjoy yourself" e depois ele veio perguntar pq eu e a japa roomie estamos aqui aprendendo inglês, já que no Japão se fala japonês e no Brasil, francês! hahaha..Ok, ele perguntou antes de afirmar isso com certa veemência. Daremos uma chance a ele!
Até que é engraçado ser brasileira, acho que o povo fica feliz a saber disso, principalmente os coreanos. Só não quero saber exatamente porque eles tem essa reação. Hoje quando entrei na sala de aula as meninas coreanas ficaram doidinhas e começaram a me perguntar um monte de coisa do Brasil. Queriam saber principalmente sobre o carnaval e pediram para que eu sambasse!Ahã! Claro que ia fazer isso! Asiático é um povo muito louco. É a mesma coisa que eu pedir para eles cantarem a karaoke music. Vai entender...Elas ouviram falar que aqui tem umas festas brasileiras e pediram para que eu as levasse e as ensinassem a sambar. Mereço?! hahahaha....Me sinto um ponto turístico.
Depois da aula fui resolver a parte burocrática do visto. Estava na fila aguardando uma carta para abrir conta no banco aqui e encontro uma das coreanas, a Bo Rah ou algo assim (eu a chamo de Borat como o cara lá do filme). Ela é bem legal e bem menos estranha do que o Mango. Conclusão, lá fui eu passear com os dois em Dundrum - um bairro bem legalzinho aqui e onde fica um famoso shopping na Europa. Sinceramente não sei pq é famoso, dizem que é pelo tamanho, mas até aí eles não conhecem o Pq Dom Pedro, o famoso pombal de Campinas. =)
Como estava chovendo bastante resolvi vir para casa um pouco mais cedo hj. Por causa disso conheci um irish baby, neto da Susan e descobri que ela costura! Sim, ela tem um quartinho de costura bem legal aqui, com muitas coisas bem bacaninhas. Super me achei! Ela faz somente capas de almofadas e vende para várias lojas aqui da cidade. São bem bonitas.
Já que o tempo está um pouco melhor agora a noite e ainda está claro, vou lá para centro.

P.S. Descobri o nome da japa girl, Hiromi. Até que é simples perto dos nomes coreanos. Ela é fã do Coldplay e estamos pensando em ir juntas no show que acontecerá em Belfast nos próximos meses(pasmem!). Ela conhece um pouco do cinema brasileiro e até me pediu uma indicação de um filme para ver. Pelo que me contou, ela quase nunca sai de casa, acorda as 6h da manhã e vive de chá verde! Uma típica japonesa. Toda vez que ela ri põe a mão na boca, talvez por vegonha, e hoje me disse que eu sou engraçada. Achei simpático, mas as vezes acho que a assusto um pouco. Ok, questão cultural. Acho que vou apresentá-la aos meus amigos coreanos e quem sabe até ensiná-la a sambar.

People

Aqui escurece tarde e amanhece cedo. Fico absurdamente perdida no tempo. Fui para escola hoje com a minha roomie que eu não consigo entender e nem pronunciar o nome dela. Estava absurdamente frio, acredito que eles não saibam ao certo o que é um verão. É preciso pegar o Luas, o metrô a céu aberto, e andar pouca coisa até a escola. Até aí tudo bem, mas jamais imaginei que eles sofrem do mesmo problema que nós brasileiros, metrô lotado. Eu na minha ingenuidade e sutiliza européia perdi 2 Luas até conseguir entrar dentro de um. Aliás, numa hora dessas confesso que blasfemei contra a minha correta amiga japonesa. Ela toda malandrona entrou no primeiro trem e me deixou, mas antes disse alguma coisa que eu não entendi. Ah, vale aqui uma observação, pior do que um irlandês falando é um asiático falando inglês. Difícil! Como ela havia combinado de ir comigo até a escola, confesso que relaxei e nem fui atrás para saber onde era. Quando eu já estava dentro do Luas esperando algum tipo de sinal para saber onde deveria descer, eis que vejo a japa girl na estação seguinte. Sim, ela não havia descido assim tão próximo para me esperar, a escola fica apenas uma estação de casa. Acredito que a escola fique numa área residencial nobre aqui de Dublin. As casas são enormes e lindas. Percebi que rola uma fixação por tijolinhos aqui, mas eles acabam tendo seu charme. Logo de cara conheci o Ming Wo (leia-se Mingu, mas ele também atende por Mango, como a fruta. Nem quero saber o por que), outro asiático, mas dessa vez coreano. Aliás, há milhares deles aqui. Na minha sala há uns 4 ao menos, todos de nomes impronunciáveis. Há também uma outra japonesa, dois italianos, dois tchecos e um russo. Outra observação, russos também tem problemas ao falar inglês, eles tornam a língua incompreensível por não abrirem a boca para falar (abri meu coração para a Susan sobre isso e descobri que ela tem a mesma opinão).
O Ming Wo se tornou meu mais novo amigo. Ele é meio esquisitinho e perdido, mas gente boa. Achava que ele era gay até me dizer que a namorada dele foi para o exército (?) sem dar explicações. Deduzo que agora deve ser ex-namorada, não perguntei. Ele foi comigo até o centro da cidade e ficou um tempo por lá, depois foi embora para jantar (sim, aqui temos horário para o jantar e geralmente é a única refeição que fazemos, afinal a comida é cara e o monte de batata do jantar é suficiente para 24h de sustento). A cidade é toda bonitinha e também lotada de turistas. Andei loucamente por diversos lugares que obviamente pretendo voltar para conhecer melhor depois. O jantar foi mais batatas, legumes e carne de porco. A Susan cozinha bem, agora não sei se há como ser muito criativa aqui com esse tipo de coisa.
Ah, ponto alto do dia: conversa entre eu, a japa roomie (na medida do possível) e o bêbado do Théo na cozinha.
O Théo é um irish man absurdamente engraçado. Descobri o que ele faz todo dia: bebe cerveja, fuma cigarro e aposta em cavalos. Ele era do exército irlandês e segundo ele, foi escalado uma vez para fazer as honras para a Rainha da Inglaterra. Ele contou isso todo emocionado e com lágrimas nos olhos. Pasmem, ele deve ser o único irlandês que não gosta de Guiness! Tomou uma única vez e achou terrível...Disse para eu não perder tempo e ir beber outra coisa..ahahaha...Também contou que morou uns 6 anos em Londres e que nunca ouviu pior sotaque do que o inglês, disse que eles são incompreensíveis! Ri por horas quando ele disse isso. O lema dele é "go out and enjoy yourself!" e depois diz que temos que rezar para agradecer por mais um dia. Acho que a japa girl ficou horrorizada ou não. Ela me contou que tinha um casinho com um japa boy lá no Japão. Começo a achar que ela é mais espertinha do que eu pensava, para mim japoneses não faziam esse tipo de coisa. Ah, e ela ficou em estado de choque por uns 5 min quando eu disse que colocamos açúcar no chá e repetiu por umas 25x seguidas " Oh my God!". Quase tive que acudí-la.

Ah, hoje o dia estava quente e ensolarado, na medida do possível. É engraçado porque todos os irlandeses ficam orgulhosos por terem dias assim. Amadores. =)

beijos verdes,
Ellen

P.S. - Também postando com atraso. E descobri que os cavalos são mais valorizados sentimentalmente aqui do que as ovelhas, em breve descobrirei a causa disso.

Bugger off

Depois de tantas despedidas, tchaus, pés na bunda, seja lá qual seja o nome dado, quase que eu não chego! =)
Sim, perdi meu voô no sábado por causa de um adorável overbooking. Só consegui outro no domingo e conclusão, cheguei agora há pouco em Dublin. Era umas 20h quando vim para minha mais nova casa...
Bom, com toda essa bagunça teria que esperar algumas horas a mais, 10h no total, para fazer a conexão em Madrid. Conclusão: tempo de sobra para passear. Depois de uma imigração muito tranquila com direito a brincadeirinhas e tudo mais, passei pelo gigante aeroporto a la Gaudi e fui ao metrô. Passei o dia vagando pelo centro.


Aeroporto Barajas
(Eles indicam o tempo para chegar até o seu outro terminal. O meu foram 27 min.)


(dá para se distrair)


Como há turistas nessa época do ano! Impossível tirar alguma foto sem algumas centenas deles na frente. A parte boa é que os grupos são tão grandes que v. pode ficar bem próximo e escutar as explicações dos guias, e gratuitamente.

Os melhores.

Alguns espanhóis fazem jus ao seu conhecido charme, mas no geral são meio rudes. Já as mulheres, a maioria são "palhaçadamente" maquiadas. E até agora, tudo ok com os dentes.
Já na Espanha acharam que eu era inglesa, e até mesmo irlandesa quando disse que ia para Dublin. Feita as honras da casa, peguei meu outro voô. Já na fila do embarque tinha um irlandês cheirando a cerveja, ri internamente. Ah, nesses voôs de curta distância é necessário pagar pela comida, agora quem em sã consciência paga por uma comida de avião?! Enfim...Assim que o avião aterrisou, a primeira coisa que vi foi um trevo pintado na cauda de outro avião estacionado! hahaha....Sim, eles tem um sotaque único, mas são simpatíssimos e beeem educados. Há trânsito em Dublin, mas nada comparado ao nosso ritmo daí. Pedi ao taxista para vir sentada na frente e é estranhíssimo, parece que toda vez ele entra na contramão. As casas são todas iguais e as portas coloridas. A cidade é absurdamente plana e verde. Cada bairro tem pelo menos uns 3 pubs. Os irlandeses são bem bonitos e as mulheres tem senso do ridículo e usam maquiagem moderadamente. Minha homestay fica num lugar muito tranquilo e em frente a um campo de golfe.


(sempre na asa)


A Susan é uma glutona simpática e divertida. O Théo é figura. Vi pela casa uns chapéus e umas varas de pescar. Chegou enquanto eu jantava e cheirava a cerveja também. Aliás, meu jantar foi irish, batatas (!), carne apimentada (!) e cenouras cozidas (!). Meu quarto é rosa (?), tenho wi-fi, secador, adaptador de tomadas, tudo que eu trouxe! Tenho colchão aquecido, banqueta na janela e roupas lavadas uma vez por semana. Na casa mora mais uma japonesa que está na mesma escola que eu. Estranha, como todos os japas, mas simpática. Na próxima semana chegará um belga que ficará por 15 dias aqui, e depois um espanhol. Espero que não seja rude. Enfim, anoiteceu agora a pouco, 22h. Estou exausta e dolorida. Amanhã vou para aula.

Beijinhos leprenchaurianos,
Ellen

P.S.- escrevi isso quando cheguei, mas só postei hoje. Ah, e logo que aterrisei em solo irlandês descobri que o trevo é de 3 folhas e não 4! Meninas, não se sintam frustradas por causa disso.